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A fraude do Papai Noel: uma leitura proibida para menores de 6 anos

“Eu não acredito em Papai Noel. É mentira. Os grandes inventaram o Papai Noel para enganar as crianças. Quando eu era criança eu também acreditava.” Renato Santos, então com 6 anos, em entrevista para a Revista Registro (magazine interno da empresa Deca Metais Sanitários) na premiação do I Concurso de Desenho com o tema “Natal”, em 1983.

No último fim de semana, encontrei essa relíquia no fundo do baú da casa do meu pai. Lembranças que ele guarda com tanto carinho da época em que era operário daquela admirada empresa, que na década de 80, quando não existia a expressão “Gestão de Pessoas” e sim “Recursos Humanos”, já se preocupava em motivar seus colaboradores a tal ponto de envolver suas famílias em ações como essas.

Deixando o saudosismo de lado, fiquei impressionado em descobrir o quanto fui ousado em tentar subverter uma figura tão amada no mundo infantil, mundo do qual eu já não fazia parte no auge dos meus 6 anos de idade!

Também fiquei buscando na memória, pra lá de remota, a quem estava me referindo quando denunciei “os grandes”. Será que estava combatendo “grandes” marketeiros, ou “grandes” empresários da indústria infantil? Espero que não! Acredito que estava me referindo aos adultos cruéis que mentem para as crianças!

Confesso que me enchi de orgulho do Renatinho quando li a expressão direta e sem rodeios: “É mentira”, isso porque hoje não tenho essa coragem para proclamar algo do gênero nas entrevistas que dou. O Renatinho certamente me reprovaria ao ler e ouvir as diversas falas polidas que apresento hoje na maioria nas situações de entrevista.

Naturalmente, depois de me deparar com essa lembrança, passei a refletir sobre a minha ‘vocação. Para quem acompanha minha carreira que em compliance, combatendo assédio, fraudes, sabe o quanto me empenho junto ao time na busca por técnicas e metodologias que previnem, identificam e combatem essas fraudes e assédios – coisas aliás, que no final do dia, se resumem a mentiras!

Não é no mínimo intrigante?!

Agora, de uma coisa o Renatinho iria se orgulhar do Renato adulto. Quando meu filho Davi, ainda com idade aproximada dos 6 anos, veio me perguntar se Papai Noel existia, eu falei que não! Mas confesso que me arrependo de ter sido tão fiel à verdade e tão cruel com a fantasia. Não estou fazendo apologia à mentira, mas proponho também uma reflexão do quanto é possível, de fato, vivermos sem ela. Na verdade, essa discussão já foi amplamente debatida em diversos ensaios e teses acadêmicas e, basicamente temos que é praticamente impossível viver em sociedade sem a mentira. (É o que temos pra hoje, Renatinho).

Porém, aplicado ao mundo corporativo, mais especificamente ao processo seletivo, a pergunta é: qual nossa tolerância para mentiras de um candidato às nossas organizações? O quanto é aceitável que o candidato minta em uma entrevista de emprego? O que não podemos aceitar como normal?

Ao que depender do Renatinho, você nunca mais contratará ninguém! Mas se eu pudesse dar um conselho àquele pequeno adulto de 6 anos, falaria: defina os valores dos quais sua organização não abre mão, para, a partir daí, definir a sua régua.

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